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18/06/2021 17:00

Pesquisa Uefs/Fiocruz detecta circulação da variante Gama do coronavírus no município

Os resultados parciais da pesquisa “Vigilância Epidemiológica e Genômica da COVID-19 de indivíduos em Grandes Áreas de circulação em Feira de Santana” foram divulgados em evento na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). A ação que ocorreu na quinta-feira (18), contou com a mesa de abertura formada pelo reitor Evandro do Nascimento, pelo pesquisador do Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Luiz Carlos Júnior Alcântara, Carlos Frederico Campelo de Albuquerque e Melo, Oficial Nacional da Unidade de Vigilância e Resposta de Emergências da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, e Rivaldo Venâncio da Cunha, infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A pesquisa foi desenvolvida no período de 8 de abril a 18 de maio de 2021, através de testes para detecção do coronavírus em pessoas sem sintomas em locais de grande movimentação no município, utilizando a metodologia de sequenciamento do RNA viral para encontrar caracterizações genéticas do vírus. Compreender os casos assintomáticos, através do reconhecimento de novas variantes do coronavírus e infectados determinou o intuito da pesquisa.

Entre os resultados foram ressaltados a coleta de 1400 amostras, forma pela qual foram detectadas as 154 pessoas infectadas pelo COVID-19 e classificadas como assintomáticas. A coleta também constatou 122 genomas e uma variante predominante em 100% dos infectados, a P.1/P1.1 (variante de Manaus), que tem como característica a transmissão em 1,7 a 2,4 vezes maior do que as outras linhagens do vírus.

De acordo com Luiz Carlos Júnior Alcântara, os resultados apontam que nas regiões de grande circulação de pessoas assintomáticas está sendo carreada basicamente uma variante de grande preocupação que é a variante P.1 ou variante Gama, que surgiu em Manaus. “Se esses indivíduos assintomáticos estão levando esse vírus sem saber, estão produzindo mais vírus em uma maior velocidade em comparativo com quem não tem a variante. Estão liberando mesmo com máscara porque tiram e as pessoas que estão passando se contaminam, e muitos que estão transitando não usam máscara corretamente também”, informou ele sobre os resultados e propagação do coronavírus no munícipio.

Para Evandro do Nascimento, a ação tem um impacto considerável para a universidade pois é o resultado da mobilização, competências e recursos que a Uefs tem em pesquisa. Ele entende que os resultados também são relevantes para definir as políticas de enfrentamento a COVID-19 em Feira de Santana.

Erenilde Marques de Cerqueira, professora e coordenadora Núcleo de Pesquisa e Extensão em Vigilância à Saúde da Uefs, considera que a Instituição é uma produtora de conhecimento e cumpre seu papel na produção de pesquisas. “Em um momento como esse quando o mundo passa por uma crise humanitária, quanto mais pesquisas e estudos melhor. Para a Uefs estar na vanguarda das pesquisas para COVID-19 é muito importante, e para a sociedade como um todo é crucial porque se conhecemos o inimigo temos como lutar contra ele. Sabendo como o vírus está circulando e quais as variantes, fica mais fácil para nós implementarmos medidas de prevenção”, afirmou a coordenadora.

A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Fiocruz, Vigilância Epidemiológica e Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana (VE/SMFS), OPAS/OMS, Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB/SVS/MS) e o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen/BA).

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