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Carta Aberta do DA de Biologia sobre o DCBIO

“Democracia não se faz com minoria”

 CARTA ABERTA DOS ESTUDANTES DE BIOLOGIA À TODA COMUNIDADE ACADÊMICA -

Microfone, autoritarismo e polícia: sobre a criminalização do movimento estudantil e a postura antidemocrática no DCBio

   Por meio desta carta, pretendemos demonstrar a profunda indignação dos estudantes de Ciências Biológicas com os atos ditatoriais ocorrentes nas reuniões do conselho do Departamento de Ciências Biológicas (DCBio), agravando-se nas três últimas.

   Mesmo algumas décadas após o fim do regime ditador no Brasil, alguns professores do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Feira de Santana, buscam de forma autoritária, desrespeitosa, fascista, perseguidora e difamadora, a imposição dessa categoria sobre os estudantes e funcionários que compõem esse departamento. São atos que mostram o extremo conservadorismo e coerção que esse professores fazem como forma reacionária ao movimento estudantil e movimento de funcionários desse departamento.

   Na quarta feira passada, dia vinte e seis de outubro de 2011, o conselho do departamento de biologia (DCBio), instância máxima de deliberações e decisões referentes ao nosso curso, foi ocupado e inviabilizado por estudantes organizados que reivindicavam a ampliação da sua participação política e dos funcionários nas decisões do curso. Vale salientar que essa decisão de inviabilização veio à tona após a decisão fraudulenta deste conselho no que diz respeito às eleições para nova diretoria (que retrocedeu na maré da uefs para o voto desigual: 20% funcionários; 30% estudantes e 50% professores), a qual acabou levantando sérios questionamentos sobre o que é democracia e qual o real papel dos/as estudantes nos espaços deliberativos, pois nós sempre possuímos representações, mas nunca conseguimos exercer participações diretas pelo fato do conselho se configurar como um espaço totalmente desigual, já que mais de 120 professores participam e somos obrigados a ficar com apenas 17 minoritárias cadeiras.

   Primeiramente tentamos participar da referida reunião do conselho, porém fomos obrigados a nos retirarmos do espaço. Inconformados, decidimos coletivamente pela ocupação e inviabilização. Entramos cantando nosso grito de clamor por justiça e liberdade: “Ô DCBio, DEMOCRACIA! NÃO EXISTE DECISÃO COM MINORIA!”. Tínhamos decidido que além de adentrar ao espaço e inviabilizar a reunião, iríamos fazer uma fala de esclarecimento aos professores. Após a intervenção, a reunião foi dada como encerrada pela professora Iraci Gomes Bonfim. Na ocasião, o estudante Thiago Leandro da Silva Dias solicitou o microfone para realizar a fala esclarecedora, já que muitos professores já haviam saído do espaço ou estavam de saída. A professora Iraci negou a solicitação e recolheu o microfone para trás do seu corpo. O estudante insistiu no uso do microfone por perceber que a reunião tinha sido dada como encerrada pela própria professora e por acreditar que aquele microfone era um instrumento público e portanto esta ação se configurava enquanto uma privação de acesso aos serviços e direitos públicos. Sendo assim, o estudante retirou o microfone da mão da professora por acreditar nos seus direitos e por entender aquele ato (e a conjuntura em torno) como mais uma forma de exercício do autoritarismo institucionalizado entre o professor – superior, dono das verdades, impositivo, e merecedor de respeito, e estudantes – inferiores, receptores das verdades, submissos e obrigados a respeitar.

   Após o desfecho do ato, a professora Iraci Gomes acompanhada por professores com egos afetados e inconformados com a perda temporária do poder institucional e simbólico, dirigiu-se a delegacias de polícia e denunciou o estudante Thiago Dias por motivos ainda não sabidos, já que a ação estudantil coletiva naquele dia foi pacífica e legítima. Mas o que podemos inferir sobre esta ação, é que mais uma vez o movimento estudantil/social é criminalizado seguindo o bojo da ideação conservadora e de direita que exerce todo seu poder na tentativa de deslegitimar a luta do povo e as ações contra-hegemônicas. Para completar, a referida professora exigiu que o estudante ficasse distante dela em no mínimo 300 metros, impedindo-o de frequentar aulas de um curso que ela ministra e acusando-o de violento, agressivo e marginal. Nesse sentido, viemos por meio desta carta denunciar esta ação criminalizatória que fere nossa liberdade de expressão e contestação e que só serve para manter o status quo dos dominadores!

   Rumores, falácias e mentiras correm a solta pela universidade como rato corre de gato. Ofensas e criminalizações de ordem conservadora, de veracidade alguma e reducionista foram, e estão sendo, lançadas ao referido estudante com o intuito de deslegitimar o ato coletivo a partir de fatos infundados e mentirosos. Corre a mentira de que o estudante já sofre processo na justiça por violência a mulher e que o mesmo já está sendo processado também pela universidade. Nesta ocasião viemos dizer que estas notícias são infundadas e são construídas para mudar o foco do movimento, deslegitimar nossa ação coletiva e desmobilizar a luta organizada contra as fraudulências do DCBio. O estudante Thiago Dias não tem nenhum antecedente criminal e milita no movimento estudantil combativo por uma universidade verdadeiramente pública e popular, diferente dos professores (intocáveis) caluniadores que exercem seu poder de professor para impor verdades privatizantes, reprimir movimentos contestatórios e oprimir os estudantes.

   Nessa perspectiva o movimento estudantil reafirmar as suas lutas por igualdade, diálogo e democracia, pautando:

·        Participação ampliada de estudantes e funcionários no conselho Já!;

·        Voto universal para as eleições Já!;

·        Participação dos funcionários com direito a voz e voto Já!;

·        Reformulação do regimento interno do conselho departamental Já!;

·        CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL!!!!!! 

Pela verdadeira democracia no dcbio!!! 

Campanha Democracia nÃo se faz com minoria!” 

Diretório Acadêmico de Biologia

Coletivo Carcará

Estudantes Organizados

03/11/2011

Publicado em 7/11/11