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Projeto de Extensão - Bonfim de Feira em Foco Parte IV

   No período de 27 a 30 de março do corrente ano, a Coordenação do Projeto Recursos Naturais e Materiais de Construção em Feira de Santana estará em Bonfim de Feira com a Parte IV do Projeto de Extensão - “Bonfim de Feira em foco”.

Este evento visa evidenciar dois aspectos: um exemplo de recuperação natural do meio ambiente e a contribuição das manifestações religiosas como meio de transmissão da sabedoria popular, e, provavelmente uma forma de resistência da cultura afro-brasileira em Bonfim de Feira.

   A cobertura vegetal nas proximidades da Fazenda São Bento é o exemplo de restauração do meio ambiente. Ali, na década de 1950, parte do substrato rochoso foi retirada para produção de brita e pedra de calçamento. Com o abandono da pedreira, a natureza cuidou de restaurar o solo e a paisagem vegetal se desenvolveu. Nela, pode-se identificar pelo menos 22 itens de plantas rasteiras, arbustos e árvores, com alguns exemplares da Caatinga: Calumbi, Catinga de Porco, Jerema, Umburana, Mandacaru, dentre outros.

   Nas manifestações religiosas, a procissão do “Domingo de Ramos” - celebração católica chamou atenção pelas folhagens cheirosas, que em geral são empregadas para chás e banhos. No cortejo e na missa (05/abril/2009), pelo menos 21 itens diferentes foram exibidos pelos fiéis.

               Bonfim em Foco - Procissão

Folhagens na procissão de Ramos – manifestação católica (Arquivo do Projeto, 05/abril/2009)

   Este costume vem de muito tempo e os fiéis acreditam fervorosamente no maior efeito ritual e medicinal destas folhas, devido à benzedura. Nas manifestações afro-brasileiras, as plantas estão presentes na ornamentação, cânticos, ritos e oferendas dos terreiros. E, algumas são essenciais para os ritos. Neste grupo, foram listados 38 itens vegetais, dos quais grande parte é de cultivo nos quintais. Em algumas celebrações, como a homenagem para o Caboclo, as raízes de samambaia utilizadas na ornamentação foram coletadas em dias e dias de caminhadas nas matas. Sobre o uso terapêutico das folhas, um zelador de terreiro (curador) menciona mais de uma dezena de itens vegetais, dentre estes: “dores no estômago - alumã. Afastar mau-olhado e maus espíritos – alfazema!”

   No cotidiano de Bonfim de Feira tem rezadeiras e curadores (zeladores) em nove terreiros, cujas práticas requerem o uso das plantas. Até bem pouco tempo, Seu Ioiô (1923 – 2008), farmacêutico prático, que aprendeu a arte de manipulação de ervas, indicava remédios caseiros. Na memória tem farmácia de manipulação entre 1900 e 1911. Portanto, o uso místico e terapêutico das plantas é comum, faz parte da memória, da história e do cotidiano da população local. O distrito sofre com o desmatamento e as conseqüências, tais como erosão e assoreamento das partes mais baixas. Desta maneira, a coleta de plantas para o uso tão comum no lugar, torna-se cada vez mais difícil.

                Bonfim em Foco - vegetais

 Exemplo do quadro de itens vegetais identificados na celebração católica (a- alecrim, b- catinga-de-porco, c- erva-doce), no terreiro (d- alfazema, e- chorona ou água de alevante, f- manjericão) e na mata (g- cabeça-de-nego, h- jerema, i- velame)

Programação:

Exposição dos recursos minerais e vegetais de Bonfim de Feira

Local: SALÃO PAROQUIAL DE BONFIM DE FEIRA

·         Minerais e rochas

·         Painel itens vegetais na área de pedreira abandonada e nas manifestações culturais

·         Exibição do vídeo: “Cortejo dos cheiros

·         Amostragem das plantas medicinais na procissão de Ramos, que ocorrerá em 28/março/2010

·         Oficina – fotografia em Bonfim

Orientação: Prof. Balkmund Nijal Patel, DSAU.

Público alvo: infanto-juvenil (10 a 19 anos)

Número de participantes: 12

Material: máquinas fotográficas analógicas simples (Kodak)

Objetivos: instigar a capacidade de observação e despertar o interesse pela fotografia. Desde o início do trabalho de extensão em Bonfim de Feira, a fotografia tem sido um dos elos entre a equipe e a comunidade.

·         Oficina – plantas no quintal e na mata

Orientação: Bióloga Pétala Gomes Ribeiro, mestranda em botânica pela UEFS

Público alvo: infanto-juvenil (6 a 14 anos)

Número de participantes: 20 a 30

Objetivos: instigar a capacidade de observação com auxílio de lupa estereoscópica, bem como contribuir para desenvolvimento da capacidade motora, através de atividades de desenho e pintura.