Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Sections
Ferramentas Pessoais
Você está aqui: Página Inicial Notícias 2010 Nota do Diretório Acadêmico de Letras - erro em edição de Antologia

Nota do Diretório Acadêmico de Letras - erro em edição de Antologia

Nota do Diretório Acadêmico de Letras: 

   O Diretório Acadêmico de Letras e Artes lamenta o erro crasso encontrado na edição da Antologia dos poetas premiados do Concurso Feirense de Poesia Godofredo Filho. O poema "Longa Metragem Poética", de Daniel Pondé, teve suas estrofes trocadas.

   O Diretório já está providenciando erratas e reimpressão corrigida dos últimos exemplares, devido à lesão sofrida pelo poeta.

Segue abaixo o poema original e integral.

-----------------------------------

Longa Metragem Poética

Ela cheirou cola no Alentejo

Ele bafou carteira na Bahia

Ele só queria foda, não queria beijo

Ela não queria nada sério, só folia.

 

Ela queria ser amada e ser de muitos.

Ele queria traficar, ganhar muito dinheiro.

Ela não gostava dos sensíveis, só dos brutos.

Ele desafogava seus anseios num puteiro.

 

Quando ele a viu disse: será minha.

Quando ela ouviu exclamou: serei tua.

Trancaram-se no quarto e foi um escândalo

-Proibi meus filhos de passarem naquela rua.

 

Ela perdeu a virgindade com onze anos.

Foi um fuzuê na província portuguesa.

Ele com doze anos não era mole:

Já jogava duro com sua vizinha Tereza.

 

Ela era linda e orgulhosa

Ele charmoso e indolente.

Ela já deixou mais de trinta caídos por ela.

Ele já deixou mais de trinta sem dente.

 

Trancaram-se no quarto e foi um escândalo.

A vizinhança em polvorosa.

O que era brisa transformou-se em vento.

O que era cravo transformou-se em rosa.

 

Não tinham nem vinte anos.

Essas interessantes criaturas.

Certo que viviam a vida intensamente.

Mas também viviam uma vida dura:

 

Ela era classe média em Portugal.

A rebelde da família.

Seu pai até hoje quando fala dos filhos

Subtrai da conta a existência de uma filha.

 

Ele, por sua vez, tinha um pai alcoólatra

E também uma mãe submissa

Que quando apanhava do marido bêbado

Não ia pra delegacia, ia pra missa.

 

Ninguém sabe os motivos pr’ela ter vindo

pro Brasil, mais precisamente pra Bahia.

Eu não sei, nem quero saber

E isso não é assunto pra poesia.

 

Quem esperou um final lógico

E cronológico, se deu mal.

Longa-metragem boa é

Aquela que “não tem final”.

 

Além do mais estamos

No mundo da poesia

E ela só mostra um pouco

(O mais é filosofia.)

                                                         

Ela só leva à fonte.

Pois quanto menos mostra

É quando menos

Esconde.

19/02/10