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Festival de sanfoneiros superlota teatro e emociona o público

Festival de sanfoneiros superlota teatro e emociona o público

Machadinho ganhou também no júri popular. Foto: Everaldo Goes - Ascom/Uefs

   O 3º Festival de Sanfoneiros foi tudo de bom: júri de categoria, presidido pelo poeta e compositor José Carlos Capinam; sanfoneiros cujo desempenho emocionou o público e gente, muita gente. O Centro de Cultura Amélio Amorim teve a maior superlotação da sua história. Muitas pessoas quiseram entrar, mas não conseguiram. Não havia mais espaço.

   A reação veio da platéia.  “O festival tem que ir pra rua”, transmitiu o apresentador do evento, radialista Tanúrio Brito. E arrematou “o povo quer dançar”. O jornalista Jânio Rego logo sugeriu a praça do Fórum (Praça João Barbosa).  Selma Oliveira, diretora do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), órgão ligado à Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), que promove o evento, tem consciência de que o Centro de Cultura ficou pequeno para acolher o festival. “Já estamos pensando em outra alternativa”, anunciou.

   Elton Machado Mascarenhas, o Machadinho, como é chamado carinhosamente, veio da cidade de Rafael Jambeiro e foi duplamente premiado. Arrebatou o 1º lugar do festival e ainda levou a premiação popular. Ele tem apenas 15 anos de idade, mas desde os 9 toca sanfona. “Quem me ensinou foi meu pai, Betão dos Oito Baixos e a partir daí me apresento sempre em shows, juntamente com ele e com meus dois irmãos, um zabumbeiro e outro tocador de triângulo. É forró em família”, brincou o garoto.

   De Serra Talhada (PE) Igor Araújo, 17 anos, 2º colocado, se dedica ao acordeom desde os 9. Tem banda própria e faz shows em todo o Nordeste, principalmente nesta época do ano, quando se aproxima o São João. Ele emocionou o púbico ao executar o Hino Nacional. Já Tadeu do Acordeom, 3º colocado, é de Salvador, tem 27 anos e banda própria, a “Jerimun Assado”. Participou do festival pela segunda vez e acha que, a cada ano, o nível de apresentação dos sanfoneiros se torna mais elevado. “Concorrer com gente boa é estimulante,”, frisou.

   Educação sentimental

   “O festival é emocionante, fantástico, mexe muito com o público, porque vai buscar uma linguagem bem popular”, avaliou o poeta Capinam. Para ele, que participou do festival como jurado pela primeira vez, a Universidade desempenha um importante papel ao associar a comunidade a esses eventos. “A canção tem também uma função pedagógica, educativa. Educação é também sentimental”, acrescentou.

   O cantor e compositor Gereba enfatizou a importância da preservação da pé de bode, a popular sanfona de oito baixos, que remete aos grandes mestres desse instrumento, como Luiz Gonzaga, que abriu as portas para os sanfoneiros, e  Sivuca. “Esse aspecto influenciou na escolha de Machadinho, justamente porque ele, sendo apenas um garoto, representa a preservação dessa arte. Não é qualquer sanfoneiro que consegue tocar uma pé de bode. É difícil. E a nossa escolha bateu certinho com a do público”, observou. O júri contou ainda com a participação de Goreti Figueiredo, professora de violão erudito do Seminário de Música Cuca/Uefs, o acordeonista feirense Rogério Ferreira e o sociólogo Pedro Arcanjo.

   Receberam Menção Honrosa os sanfoneiros Enock Marques dos Santos, de Caldas de Cipó e Paco do Acordeom, de Santa Bárbara. O destaque do júri ficou para Arcênio Araújo dos Santos, representando a cidade de Água Fria. Ao todo 46 sanfoneiros se inscreveram, dos quais foram selecionados previamente 12, por uma comissão composta pelo jornalista Geraldo Lima, o músico Jota Sobrinho e o repentista João Ramos.  A eles coube a difícil tarefa de escolher os melhores para a final do festival. E acertaram.

 Feira de Santana, 31 de maio de 2010

Socorro Pitombo