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Documentação do acervo marca os 43 anos de fundação do Museu da Uefs

Documentação do acervo marca os 43 anos de fundação do Museu da Uefs

Hansen Bahia. “Touro”. Xilogravura, 53,5 x 90 cm. 1970. Museu Regional de Arte - Cuca/Uefs.

   Nada mais apropriado para comemorar os 43 anos de fundação do Museu Regional de Arte da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), em 26 de março, que o inventário das obras que compõem um acervo que encanta pela qualidade, pelo valor histórico e lucidez dos que se lançaram na aventura de trazer para Feira de Santana nos distantes anos da década de 1960, tão significativo patrimônio.

   Em data a ser confirmada, será entregue à Uefs, o acervo original do museu em suporte digital - o que permite incorporar ou descartar peças -, e impresso, com 114 obras documentadas, incluindo a coleção inglesa.  Na verdade, já havia o arrolamento das peças e alguns documentos referentes ao acervo original.  Mas a preocupação da Uefs era fazer o inventário museológico, dentro dos critérios técnicos.  “A opção foi começar pelo acervo primitivo, cuidadosamente selecionado no período de criação do museu”, afirma Osvaldo Gouveia Ribeiro, museólogo e consultor nessa área. 

   Durante 11 meses ele se debruçou sobre as obras de arte, juntamente com a colega Francisca Andrade e dois estagiários do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), onde está localizado o museu. Ao todo, foram identificadas 286 peças, incluindo as incorporadas e elencadas recentemente.

   Segundo Gouveia, a documentação contextualiza o trabalho didático e, do ponto de vista jurídico, dá legitimidade ao acervo como instrumento reconhecido pelo Conselho Internacional de Museus. Ele elogiou a iniciativa da Uefs, ao afirmar que são poucos os museus no Brasil que contam com acervo documentado, o que considera lamentável. “É a documentação, através da pesquisa, que permite entender a obra e o autor, e passar esse entendimento para o público”, destaca.

Influência marcante

   O trabalho começou com visita técnica ao museu, levantamento bibliográfico sobre o tema e da documentação existente, além de pesquisas sobre as obras, relacionando as peças com suas características: dimensão, técnica, entre outros aspectos. Em paralelo, foram criadas as fichas de identificação e localização, além de dossiês. Todo esse conjunto de elementos compõe o trabalho.

   Fundado na década de 1960, por iniciativa de Dival Pitombo e Odorico Tavares, com o apoio do jornalista Assis Chateaubriand, o Museu Regional de Feira de Santana, como era então denominado, influenciou várias gerações de artistas locais, transformando-se em uma referência para a cidade, sobretudo pela possibilidade de diálogo com a produção plástica do século XX.

   A presença da vanguarda inglesa entre gibões e malas de couro (parte do acervo representava a cultura popular da região), embora pouco compreendida pela maioria, sempre foi motivo de orgulho para o feirense.

   Selma Oliveira, diretora do Cuca, observa que em 1951, Feira de Santana conhecia a primeira exposição de Arte Moderna, organizada pelo intelectual Dival Pitombo e pelo artista Raimundo de Oliveira.  No início de 1960, começava a descobrir trabalhos de artistas como Juraci Dórea, Aderbal Moura e Carlo Barbosa. Mas foi a criação do Museu Regional o marco fundamental para colocar Feira de Santana no circuito das artes plásticas brasileiras.

As coleções

   Transferido para o Cuca em 1995, o museu passou a ser denominado Museu Regional de Arte, desmembrando o acervo (a parte regional foi para a Casa do Sertão, no campus da Uefs), dedicado  apenas às artes visuais.

   O atual acervo do museu é composto de cinco coleções.  A primeira reúne quase três dezenas de quadros dos mais representativos artistas plásticos ingleses do século XX. O conjunto, homogêneo e harmonioso, resultou dos contatos de Assis Chateaubriand na Inglaterra, onde foi embaixador. A segunda coleção é também dedicada à pintura, com trabalhos de artistas brasileiros de variadas tendências. Já a terceira é voltada para o desenho e a gravura.

   Pouco numerosa, mas não menos importante é a quarta coleção, dedicada à escultura. A quinta coleção, ainda em formação é composta por artistas feirenses que se destacaram a partir de meados da década de 1970, como é o caso de César Romero, Graça Ramos, Gil Mário, Pedro Roberto, Herivelton Figueiredo, dentre outros.

   Feira de Santana, 25 de março de 2010.

 Socorro Pitombo

Assessoria Cuca/Uefs