Personalidade Econômica do ano Márcio Pochmann fala da sua vida de dedicação às Ciências Econômicas
Personalidade Econômica do Ano de 2007, o professor licenciado da UNICAMP, Márcio Pochmann assumiu há um mês a presidência do IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. O reconhecimento dos conselheiros foi devido à importante contribuição em pesquisas econômicas aplicadas e pela atuação para a valorização da profissão de Economia no país. Porshman recebe a homenagem nesta terça-feira na abertura do XII Congresso Brasileiro de Economia em Porto Seguro, Bahia. Em entrevista à Assessoria de Comunicação do COFECON, Pochmann se diz contente com a indicação do Conselho e conta que ainda quando era estudante de Economia na Universidade Federal de Economia do Rio Grande do Sul já mantinha contato com o Conselho Regional. "Cursei Ciências Econômicas de 1981 a 1984 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na época fiz parte da Central Acadêmica e mantinha contato permanente com o Conselho Regional de Economia. Considero o trabalho dos CORECONs nas faculdades importante", afirma.
COFECON - Como surgiu o seu interesse pelas Ciências Econômicas e por pesquisa na área de política trabalhista? O jovem que pretende engressar na faculdade hoje tem informações sobre a profissão de Economia?Márcio Pochmman - O meu interesse pela área trabalhista começou aos 17 anos, no meu primeiro emprego como operário de uma indústria na cidade gaúcha de Venâncio Aires. Entrei para o sindicato e na minha relação com outros trabalhadores fui começando a dar os primeiros passos para divulgar aquela cultura. Era final dos anos 70, quando encontrei em uma banca, em plena ditadura, uma edição reduzida e popular do Capital traduzida para o português. Comecei a me interessar pela Economia lendo Marx e optei pelo curso de Ciências Econômicas, uma decisão difícil numa época em que a profissão de Economista não era tão conhecida como hoje. Sempre trabalhei com a temática do emprego.Márcio Pochmman - Meu primeiro trabalho como economista foi no Dieese em 1985. Os anos 80 foram de renascimento da constituinte em 88 e isto afetou as relações de trabalho. Neste período o Dieese lançou junto com o IBGE o PED - Pesquisa de Emprego e Desemprego em São Paulo e este estudo é feito até hoje. A informalidade é desfavorável ao país, porque não contribui na arrecadação de impostos. A Formação do mercado de trabalho brasileiro se deu com a informalidade até os anos 80, hoje estamos vendo um aumento do emprego formal com carteira assinado, por outra lado surgiu a figura do PJ (Pessoa Jurídica). Desenvolvi um importante estudo sobre a terceirização pela UNICAMP que está disponível no site: http://www.sindeepres.org.br/. A previdência é um problema enfrentado por vários países com naturezas diferentes. O país entretanto, vive seu melhor momento de capacidade produtiva, pois a transição demográfica da população ativa para inativos deve permanecer favorável até 2030. Entretanto, se o país não crescer pelo menos 5% ao ano, aumentará o número de desempregados e consequentemente a informalidade aumenta. É possível uma integração maior das relações de trabalho entre os países do Mercosul sem prejuízos ao trabalhador? Os vizinhos reclamam que as leis trabalhistas no Brasil são muito rígidas. A União Européia tem um bom exemplo de unificação do trabalho sem causar prejuízos ao trabalhador. Não é verdade que as leis trabalhistas brasileiras são rígidas. No Brasil há 44% de rotatividade no emprego, o que representa uma grande flexibilidade. Cerca de 10 milhões de brasileiros são despedidos por ano. É fácil demitir e contratar. A empresa não pensa mais em qualificar o funcionário, porque as relações são tão flexíveis que o empregado acaba saindo do emprego antes de retornar o que foi investido nele. Ou seja, o investimento vira custo. Celso Furtado, Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior deixaram importantes contribuições com relação ao tema trabalho no Brasil. É importante lê-los para uma visão mais ampla, mas é difícil encontrar uma publicação que sintetize a questão do emprego no Brasil hoje.COFECON - Como é assumir uma instituição como o IPEA? Quais as mudanças desta nova gestão? O IPEA ganha mais força este ano por estar veiculado à Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, coordenada pelo Ministro Roberto Mangabeira Unger. A mudança ocorreu com o intuito de fortalecer o instituto e possibilitar pesquisas que oferecem orientações ao Governo de longo prazo para a criação de políticas publicar para o desenvolvimento nacional. Sou o primeiro presidente nessa estrutura. Estamos passando também por um processo de regionalização do IPEA. A intenção é que se tenha um núcleo em cada região do Brasil para desenvolver pesquisas em parceria com as universidades. |

