Grupos de Pesquisa

 

Colaboradores

 

Noely Santos Silva

e:mail: noelyss@bol.com.br
Currículo Lattes

 

Projeto Individual:

 

Título: O ritual cortês e a máscara pastoril no teatro de Gil Vicente e Juan del Encina (Financiado pela PROBIC/UEFS)


Resumo: O teatrólogo português Gil Vicente foi um dos grandes artistas dramáticos do séc. XVI em toda a Europa. Suas produções artísticas datam do período entre 1502 a 1536, somando um total de 44 peças teatrais feitas e representadas para a Corte portuguesa. Seu teatro é caracterizado pela predominância de personagens "tipos", como, por exemplo, a figura do pastor, que é representado como "bobo, rústico e astuto", e é presença constante nos denominados Autos Pastoris. Estes Autos a exemplo do Auto do Visitação, Auto Pastoril Castellano, Auto Pastoril Português, Auto dos Reis Magos, entre outros, traduzem um mundo pastoril que em determinado momento entra em confronto com o mundo civilizado da Corte. São dois mundos diferentes que se encontram e se chocam em cena.

Por sua vez, os Autos Pastoris de Juan Del Encina, dramaturgo quinhentista espanhol e contemporâneo de Gil Vicente, também traduzem o encontro conflituoso desses dois mundos. A diferença está no ambiente de encontro. Em Juan del Encina se dá no espaço da Corte. Já em Gil Vicente o espaço predominante para o encontro rústico versus civilizado é o campo, com uma única exceção para o Auto da Visitação, primeira obra de Gil Vicente, e na qual se percebe mais claramente as influências do teatro de Juan del Encina.

 Fazendo uma análise comparativa entre os dois dramaturgos, Gil vicente e Juan Del Encina, pretendemos demonstrar que o matiz de estranhamento do mundo pastoril com o ritual cortês é sempre o mesmo. A imagem do pastor como protagonista das obras é o primeiro indício do propósito dos autores em dar conta dos ideais e aspirações da sociedade cortesã, na visão de um indivíduo que se encontra fora daquela sociedade em que eles próprios viviam, respectivamente Portugal e Espanha. É justamente através da configuração do choque entre o mundo pastoril e o mundo cortesão. 
Juan del Encina busca na representação do pastor dar conta do ritual cortesão em que está inserido. O elemento cômico que Encina trabalha durante a peça é o estereótipo do pastor, um ser exagerado, quase que mentiroso, desatento, divertindo o homem cortesão, porque há um nítido contraste entre as duas culturas: a rústica e a cortesã.

A verdade é que toda comicidade esconde sempre algo, mas, por sua vez, também revela uma parte da realidade que geralmente não deve ser contada. Nos autos dos dois dramaturgos, esta realidade aponta para o desajuste cultural entre a personagem e o espaço físico da Corte e o estereótipo do pensar e ser do pastor. É aí que está inserida a vertente cômica tanto no teatro pastoril de Gil Vicente como no de Juan del Encina.

Em duas das Églogas de Juan del Encina, Representación sobre el poder del amorÉgloga de Mingo, Gil e Pascuala, encontraremos um diferenciamento no ritual entre o cortesão e o pastor. Se antes o relacionamento entre ambos era manifesto com enfrentamento e discussões, nestes dois ensaios dramáticos a relação é construída com solidariedade, respeito e amizade.

 

 

 

 

© Núcleo de Estudos Portugueses
Todos os direitos reservados
SOBRE O SITE