Grupos de Pesquisa

 

Colaboradores

 

Maria Goreth Figueredo Vasconcelos

e:mail: gorethfigueredo@yahoo.com.br
Currículo Lattes

 

Projeto Individual:

 

Título: As fontes ibéricas do teatro de Gil Vicente: a influência de Lucas Fernández (Financiado pela FAPESB)

Resumo: O teatro do dramaturgo português Gil Vicente, de certa maneira, inaugura, no início do séc. XVI, o teatro em Língua Portuguesa. Embora se reconheça a existência de "manifestações teatrais" anteriores a este teatrólogo, como os "momos", os "mistérios"  e os "entremezes" representados nas festas religiosas e cortesãs, aceita-se hoje que é com Gil Vicente que o teatro em Língua Portuguesa ganha plenitude lingüística, dramática e cênica. Todavia, sabe-se, da mesma forma, que a obra vicentina não teve como antecessores apenas aquelas "manifestações teatrais". Fontes provenientes do teatro medieval europeu, sejam elas francesas, italianas ou ibéricas, também serviram de inspiração para a construção dos autos vicentinos. Papel fundamental nesse sentido desempenharam os dramaturgos espanhóis Lucas Fernández (1474-1541) e Juan del Encina (1468-1530). Lucas Fernández, em suas Farsas y Églogas al modo y estilo pastoril y castelhano, escritas entre 1495-1505, exerceu, assim como Juan del Encina, siginificativa influência no momentos iniciais da produção vicentina.  Como indica o título da reunião de suas obras, era o mundo pastoril que Lucas Fernández buscava retratar. O choque provocado pelo encontro deste mundo rústico com o mundo civilizado da corte será o mote para o estabelecimento do cômico e que fará a graça de suas farsas. Da mesma forma, os primeiros autos vicentinos tomam como matriz espacial o campo, a vida dos pastores e seus hábitos rústicos e, por meio da farsa, retratam os conflitos vividos pelos pastores no convívio com o codificado e sofisticado mundo da corte e da Igreja.

A relação entre os autos de Gil Vicente e as Farsa e Églogas de Lucas Fernández, como acontece também com Juan del Encina, foram pouco estudadas. Nos mais de dois mil textos de que se compõem a fortuna crítica vicentina, são poucos aqueles que investigam o diálogo entre os dois dramaturgos. Este projeto de investigação, portanto, pretende confrontar criticamente as obras de Lucas Fernández e de Gil Vicente, discutir o papel desempenhado pelo teatro de Lucas Fernández nos primeiros autos vicentinos e identificar e analisar os pontos convergentes entre as obras dos dois dramaturgos.  

 

 

 

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