Grupos de Pesquisa

 

Colaboradores

 

Jamyle Rocha Ferreira

e:mail: mylerocha@bol.com.br
Currículo Lattes

 

Projeto Individual:

 

Título: As fontes ibéricas do teatro de Gil Vicente e as influências de Juan del Encina(Financiado pela PIBIB/UEFS/CNPq) (Pesquisa já concluída)


Resumo: O teatro do dramaturgo português Gil Vicente, de certa maneira, inaugura, no início do séc. XVI, o teatro em Língua Portuguesa. Embora se reconheça a existência de "manifestações teatrais" anteriores a este teatrólogo, como os "momos", os "mistéiros"  e os "entremezes" representados nas festas religiosas e cortesãs, aceita-se hoje que é com Gil Vicente que o teatro em Língua Portuguesa ganha plenitude lingüística, dramática e cênica. Todavia, sabe-se, da mesma forma, que a obra vicentina não teve como antecessores apenas aquelas "manifestações teatrais". Fontes provenientes do teatro medieval europeu, sejam elas francesas, italianas ou ibéricas, também serviram de inspiração para a construção dos autos vicentinos. Papel fundamental nesse sentido desempenharam os dramaturgos espanhóis Juan del Encina (1468-1530) e Lucas Fernández (1474-1541). O primeiro foi poeta da corte castelhana e legou-nos um conjunto de aproximadamente catorze textos dramáticos, nos quais predominam elementos de fundo religioso, ligados às festas natalinas e habitados por figuras pastoris, e outros de inspiração cortesã, tendo a temática amorosa como mote. Os primeiros autos vicentinos têm, da mesma forma, como matriz básica a tradição natalina e como personagens centrais os pastores, revelando indisfarçadamente a influência sofrida pelo teatro de Juan del Encina. Influência esta que mais tarde será também indicada por outro grande poeta português, Garcia de Resende, que em suas Miscelâneas afirma sobre Vicente: "E vimos singularmente/ fazer representações/ destilo muy eloquente,/ de muy nouas inuenções,/ e feitas por Gil Vicente:/ elle foy o que inuentou/ isto ca, e o vsou/ cõ mais graça e mais dotrina,/ posto que Ioam Delenzina/ o pastoril começou".

A relação entre os autos de Gil Vicente e as éclogas de Juan el Encina foram até hoje pouco estudadas. Nos mais de dois mil textos de que se compõem a fortuna crítica vicentina, são poucos aqueles que investigam o diálogo entre as duas obras. Este projeto de investigação, portanto, justifica-se não só pela importância dos dois autores objetos do estudo para a cultura ibérica, mas também por possibilitar um melhor conhecimento de um dramaturgo sobre cuja obra se apoiará o teatro em Língua Portuguesa e que até os dias de hoje exerce significativa influência na dramaturgia do mundo losófono.  

 


Título: A língua saiaguês no teatro de Juan del Encina e Gil Vicente (Financiado pela FAPESB/UEFS)


Resumo: Em nosso projeto de Iniciação Científica anterior buscamos demonstrar o diálogo entre as Églogas de Juan del Encina e os Autos de Gil Vicente, nos mais diversos aspectos. Agora, pretendemos ater-nos à questão lingüística. É notório que Juan del Encina se utilizava do dialeto salmantino – o saiaguês -, como uma língua rústica, o que dava vivacidade aos pastores de suas peças teatrais. Este dialeto, denominado de língua pastoril, influenciou os contemporâneos encinianos: Lucas Hernandez, Torres de Naharro e também Gil Vicente.

Na vasta fortuna crítica vicentina, são poucos os títulos que investigam o diálogo lingüístico entre as duas obras. Este é nosso objetivo: estudar a presença do saiaguês nos dois autores. Este projeto de investigação justifica-se não só pela importância desses dramaturgos para a cultura ibérica, mas também por possibilitar um melhor conhecimento da obra vicentina, que, até hoje, exerce significativa influência na dramaturgia do mundo lusófono.

 

© Núcleo de Estudos Portugueses
Todos os direitos reservados
SOBRE O SITE