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Amante e incentivador das artes, Chateaubriand idealizou, duas décadas após a inauguração do MASP, a Campanha Nacional dos Museus Regionais, que tinha por objetivo dotar as diferentes regiões do país com expressivos acervos. A iniciativa pretendia possibilitar a descentralização dos museus das grandes metrópoles e viabilizar a interiorização da arte, o incentivo à descoberta de novos artistas e a criação de espaços de lazer e educação que favorecessem a apreciação de obras de arte.

Nessa época, intelectuais, artistas e políticos feirenses percebiam que a cidade crescia e se industrializava rapidamente, o que provocava, em uns, grande entusiasmo com a modernização da vida urbana; em outros, preocupação com a perda das características de cidade pacata, fortemente marcada pelo universo rural e por suas raízes históricas, que remontam ao comércio de gado e à feira-livre.

Tanto os adeptos da modernização quanto os defensores da cidade tradicional acreditavam, porém, que a criação de um museu ajudaria a assegurar e fortalecer a vida cultural do município. Assim, iniciaram-se os esforços junto aos poderes públicos municipal e estadual para a viabilização do projeto. Paralelo a isso, o odontólogo e professor Dival da Silva Pitombo, principal entusiasta da ideia do museu feirense, ao tomar conhecimento da iniciativa de Assis Chateaubriand, buscou, com sucesso, o apoio do empresário. Garantida a doação do acervo por parte de Assis Chateaubriand, e contando com o empenho do jornalista e escritor pernambucano Odorico Tavares (1912 - 1980), colaborador do empresário na campanha de formação dos museus regionais e diretor da rede Diários Associados da Bahia, parte do império midiático fundado por Chateaubriand, as atenções foram voltadas à estruturação do espaço.

Em resposta a essa mobilização, o Governo do Estado acionou a Fundação Museus Regionais da Bahia e, através desta, foi criada, em 20 de fevereiro de 1967, a Fundação Museu Regional de Feira de Santana (FMRFS) para administrar o futuro museu do município. Na diretoria, o jornalista João da Costa Falcão (1919 - 2011), como presidente; o poeta Eurico Alves Boaventura (1909 - 1974), como vice-presidente; o jurista e educador Fernando Pinto de Queiroz (1922 - 2010), na função de secretário; o jurista Jorge Bastos Leal, como tesoureiro; e o professor Dival da Silva Pitombo (1915 - 1989), no cargo de diretor executivo.

 

Pouco mais de um mês depois, em 26 de março de 1967, o Museu Regional de Feira de Santana abriu suas portas ao público. A solenidade de inauguração reuniu personalidades de destaque nos cenários nacional e internacional, dentre elas o empresário Assis Chateaubriand, o pintor carioca Di Cavalcanti (1897 - 1976) e o embaixador da Inglaterra no Brasil John Russell.

 

Ao iniciar suas atividades, o Museu Regional de Feira de Santana atendia plenamente às expectativas dos grupos que o idealizaram. Para os defensores das tradições históricas da cidade, o museu havia reunido uma vasta coleção dedicada à cultura regional, constituída por artefatos característicos da chamada “cultura do couro”, que ilustrava o dia-a-dia do homem sertanejo e remetia às origens do povo de Feira de Santana.

 

No entanto, a designação de Museu Regional não pretendia refletir o perfil de uma instituição de arte exclusivamente da região, e sim de um museu voltado para o território de identidade no qual está inserido. Sendo assim, os adeptos da modernização também foram contemplados com uma singular coleção de artes plásticas, na qual figuravam renomados artistas modernistas brasileiros e estrangeiros.

 

Por iniciativa de Chateaubriand, o Museu Regional tem hoje um dos mais importantes acervos do mundo, sobretudo por reunir o valioso conjunto de obras assinadas por Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro, precursores do Movimento Modernista Brasileiro, que participaram ativamente da Semana de Arte Moderna de 1922; e a singular coleção de obras modernistas inglesas, única em toda a América Latina, adquirida por Assis Chateaubriand quando de sua estadia como embaixador do Brasil na Inglaterra (1957 -1960), e doadas por ele ao Governo do Estado da Bahia.

 

A Coleção Inglesa, como é conhecida, reúne 30 telas confeccionadas a óleo sobre diversos suportes, nas décadas de 1950 e 1960, por alguns dos mais consagrados artistas modernos ingleses, a exemplo de Antony Donaldson, Alan Davie, Bary Burman, Bryan Organ, Brett Whiteley David Leverret, David Oxtoby, Derek Hirst, Derek Snow, Howard Hodgkin, Graham Sutherland, Paul Wilks, Pauline Vincent, Joe Tilson, John Kiki e John Piper.

 

Também compõem o acervo permanente do Museu Regional a Coleção de Arte Naïf e a Coleção Nipo-Brasileira, que também têm grande importância nos cenários artísticos nacional e internacional; obras pertencentes a renomados artistas estrangeiros naturalizados brasileiros, como Manabu Mabe, Carybé, Hansen Bahia e Reinaldo Eckenberger; telas e esculturas de consagrados artistas baianos, a exemplo de Mario Cravo, Calasans Neto, Floriano Teixeira, Carlos Bastos, Jenner Augusto, Juarez Paraíso, Presciliano Silva, Riolan Coutinho, Justino Marinho, Genaro de Carvalho, Tatti Moreno, Sergio Rabinovitz e Sante Scaldaferri; e obras de artistas feirenses que alcançaram projeção nacional e internacional, como é o caso de Raimundo de Oliveira, Carlo Barbosa, Juraci Dórea, Graça Ramos, César Romero, Gil Mário e Antonio Brasileiro.

 

Segundo dos três museus criados com o apoio de Chateaubriand (o primeiro foi o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, em dezembro de 1966; e o terceiro foi o Museu Regional de Campina Grande, atualmente chamado Museu de Artes Assis Chateaubriand, em agosto de 1967), o Museu Regional de Feira de Santana foi inicialmente instalado no antigo prédio da administração do Campo do Gado, localizado na Rua Geminiano Costa, onde atualmente funciona outra instituição museológica, o Museu de Arte Contemporânea (MAC). O imóvel foi doado pela Prefeitura Municipal na gestão do então prefeito Joselito Falcão de Amorim (1919 - ), que assumiu o cargo no dia 08 de maio de 1964, empossado pela Câmara Municipal, após a deposição do prefeito Francisco Pinto, pelo Regime Militar, permanecendo no posto até abril de 1967.

 

Nas décadas seguintes, a qualidade e a importância do patrimônio artístico do Museu Regional, no entanto, não lhe garantiram os recursos necessários, junto ao poder municipal, para assegurar o adequado desenvolvimento de suas atividades. Assim, a despeito dos esforços de seu diretor, passou a funcionar de modo cada vez mais precário, tendo sido arrombado e depredado em mais de uma ocasião. Tal situação provocou a reação da sociedade feirense, que passou a exigir melhores condições de funcionamento e conservação do acervo. Como resultado, a Prefeitura transferiu o Museu Regional para a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em 1985.

 

Dez anos depois, com a inauguração do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), a UEFS resolveu realocar o acervo do Museu Regional, que passou a funcionar no imponente prédio de estilo eclético, datado de 1916, que, no passado, abrigou a Escola Normal de Feira de Santana. Nesse momento, o acervo original foi desmembrado, tendo a parte característica do Ciclo do Couro sido enviada ao Museu Casa do Sertão, também pertencente à UEFS. Com isso, o Museu Regional de Feira de Santana, que teve seu nome mudado para Museu Regional de Arte de Feira de Santana (MRA), passou a ser um espaço destinado exclusivamente às artes visuais.

 

Por sua vinculação com a UEFS, o MRA passou a privilegiar também o desenvolvimento de ações e atividades de Pesquisa e Extensão, que buscam preservar a memória e o patrimônio sociocultural representados pelo seu acervo, assim como pela relação estabelecida com o seu público e sua história, atuando com base nos princípios da universalidade do acesso, do respeito e da valorização da diversidade cultural, como forma de promoção da cidadania.

 

Localizada na Rua Conselheiro Franco (antiga Rua Direita), nº 66, a atual sede do MRA também passou, mais recentemente, por sérios problemas estruturais, que forçaram a Instituição a fechar as portas por mais de dois anos. Nesse período, a UEFS viabilizou a restauração não apenas do prédio, mas também do valioso acervo do Museu, que passou por um meticuloso processo de limpeza e conservação, realizado pelo Studio Argolo Antiguidades e Restaurações, sob o comando do restaurador José Dirson Argolo.

 

No dia 09 de maio de 2015, o Museu Regional de Arte de Feira de Santana foi finalmente reinaugurado, com o vernissage da exposição que reuniu as principais obras de seu acervo histórico. Desde então, o MRA permanece aberto à visitação pública de segunda a sexta-feira, em horário comercial.

 



O Museu Casa do Sertão é um dos órgãos responsáveis pelo desenvolvimento da política cultural da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), tendo uma atuação marcante no fomento e difusão da cultura local e no resgate, preservação e valorização da cultura popular.

Construído no Campus Universitário, em 1978, pelo Lions Clube de Feira de Santana, que doou o espaço à Universidade, o Museu contava, inicialmente, apenas com uma sala para exposições temporárias, uma sala para a exposição do acervo permanente e uma pequena biblioteca.

Ao longo dos anos, houve um notável crescimento, tanto em termos de estrutura física quanto de acervo museológico. Novas peças foram incorporadas à coleção do Museu Casa do Sertão, a exemplo do Acervo do Couro, que pertenceu ao Museu Regional de Arte de Feira de Santana (MRA), sendo transferido para a Casa do Sertão em 1995, após a vinculação do MRA à UEFS; e da biblioteca pessoal do Monsenhor Renato de Andrade Galvão, doada em vida pelo sacerdote, educador, historiador e Vice-Reitor da Universidade (1979 - 1987) pouco antes de sua morte, em 1995.

O acervo, que foi agregado ao Centro de Estudos Feirenses (CENEF), também criado pelo cura, passou, posteriormente, por meio de resolução do Conselho Universitário (CONSU), a constituir a Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão. Com 4.916 exemplares, entre livros especializados em História (sobretudo de Feira de Santana), cultura popular e literatura de cordel; jornais dos séculos XIX e XX; manuscritos; cartas de alforria; monografias; dissertações; revistas do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia e outros periódicos; o acervo é, até hoje, um centro de referência para estudantes e pesquisadores.

Entre 1995 e 1996, o prédio que abriga o Museu Casa do Sertão sofreu uma grande reforma, triplicando a sua área construída, que passou de 212,72 m² para 708,46 m². A ampliação possibilitou a redistribuição do acervo, em função da criação de novos espaços, como a Sala do Artesanato, que passou a abrigar o acervo iconográfico; a Sala Eurico Alves Boaventura, que recebeu o acervo do Ciclo do Couro; a Sala Dival da Silva Pitombo, reservada a exposições temporárias; a Sala da Administração; o Centro de Estudos Feirenses; o Núcleo de Literatura de Cordel; a Biblioteca Setorial; a Reserva Técnica e o Pavilhão Anexo, destinado às peças de grande porte.

Compartilhando do ideal de tornar a UEFS uma Universidade inserida no seu entorno e que, no âmbito de sua vocação múltipla e universal, contempla, cada vez mais, a sua regionalidade, o Museu Casa do Sertão vem preservando a cultura sertaneja e resguardando aspectos do cotidiano do homem sertão. Possui uma coleção iconográfica constituída de 1.169 artefatos em couro, cerâmica, metal, madeira, fibras e matrizes de xilogravura, que remetem à maneira de ser do povo nordestino. Esse acervo permanece aberto à visitação pública diariamente, em horário comercial.

A Casa do Sertão possui também uma discoteca de músicas sertanejas, uma biblioteca especializada em diversas áreas do conhecimento sobre Feira de Santana e região e um acervo de Literatura de Cordel, com aproximadamente 2.400 exemplares, escritos por autores clássicos e modernos.

No órgão suplementar, há, ainda, um grupo de pesquisa, que tem por diretriz básica a produção e divulgação de estudos e investigações de caráter histórico, socioeconômico e cultural sobre Feira e região. Esse trabalho se faz presente através da publicação de instrumentos de pesquisa (inventários sumários e analíticos, guias etc), elaboração de livros didáticos alternativos, dentre outros. As pesquisas são desenvolvidas no acervo documental e bibliográfico do Museu, bem como em arquivos públicos e privados de Feira de Santana, Cachoeira e Salvador.

O Museu Casa do Sertão é um espaço dinâmico, que atrai um público bastante diversificado, em busca de informações culturais e de apoio à pesquisa. Atualmente, procura incentivar a realização de novas investigações na área da cultura popular, resgatando, dessa forma, informações sobre a memória histórica e cultural da microrregião de Feira de Santana e, sobretudo, valorizando o papel desempenhado pelo homem sertanejo na formação social do Estado da Bahia.



Criada em 1998, a galeria pertencente ao Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) recebe o nome do artista plástico feirense Carlo Barbosa (1945-1988), autor da célebre obra O flagelo de Lucas (1987), uma das mais expressivas composições do autor, que alcançou projeção nacional nas décadas de 70 e 80.

Destinada a exposições individuais e coletivas de artistas feirenses, baianos e de outras regiões do país, a Galeria de Arte Carlo Barbosa abre espaço tanto para artistas consagrados quanto para iniciantes, contribuindo para suprir a grande lacuna aberta pela falta de incentivo e de políticas públicas voltadas às artes plásticas em nosso município, ao inserir Feira de Santana nos circuitos comerciais de arte do país.

Além de promover exposições, a Galeria disponibiliza as obras para aquisição pelo público visitante e desenvolve um trabalho educativo junto aos usuários, com vistas à qualificação do mercado de arte local, regional e estadual.

O espaço, que não possui acervo próprio, é considerado compatível com as melhores galerias do Estado e dispõe de refrigeração climatizada e reserva técnica para guarda do acervo flutuante, o que a torna um local requisitado no meio artístico.

A Galeria Carlo Barbosa permanece aberta à visitação pública, de segunda a sexta-feira, em horário comercial.



Criado em 2005, o Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (MZFS), conta, atualmente, com coleções de todos os grandes grupos de vertebrados e invertebrados representantes da fauna de diferentes biomas da Bahia e de outros estados, principalmente da Caatinga e da Mata Atlântica, tendo, assim, um acervo de inestimável valor para as pesquisas da biodiversidade do Nordeste.

O Museu tem por finalidade criar, conservar e ampliar as coleções zoológicas sob sua responsabilidade, oferecendo suporte às pesquisas desenvolvidas na UEFS e em outras universidades e instituições de pesquisa, além de promover a divulgação da Zoologia junto às comunidades (interna e externa), através de serviços educativos e visitas orientadas a exposições, possibilitando a popularização do conhecimento científico.

Localizada no Campus da UEFS, a instituição museológica é coordenada pelos professores Maria Celeste Costa Valverde e Téo Veiga de Oliveira, do Departamento de Ciências Biológicas, e está estruturada em sete Divisões Científicas: Anfíbios e Répteis; Aves; Entomologia; Etnozoologia; Invertebrados Aquáticos; Mamíferos; e Peixes. Em termos administrativos, o Museu de Zoologia conta com uma Divisão de Educação, com um Acervo Didático e com uma equipe de Divulgação, que coordena a interação com a comunidade.

No que diz respeito às Divisões Científicas, as atividades vêm sendo desenvolvidas desde a criação do Museu, através do tombamento de espécimes em suas coleções, que sempre estiveram à disposição de pesquisadores interessados em seu acesso. Em relação à interação com o público, o Museu abriu suas portas para ações educativas e extensionistas em 2012, e, ainda que a sua estrutura física e organizacional não permita a realização de atividades permanentes de recepção ao público, exposições e mostras temporárias já contabilizam 2.500 registros, decorrentes de visitas escolares dos ensinos básico e superior de Feira de Santana e de outros municípios baianos.

Através de atividades como o programa de extensão “Educação Não-Formal no Museu de Zoologia da UEFS: Divulgação e Popularização do Conhecimento Zoológico”, o Museu oferece ao público estudantil da rede básica de ensino diversas exposições e cursos temáticos. Visitas orientadas podem ser agendadas previamente pelos telefones (75) 3161-8148, 3161-8769 e 3161-8767, de segunda a quinta-feira, com a museóloga Hozana de Barros Castro.

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