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Um doutorando brasileiro, residindo em Milão, onde se encontra como bolsista da Capes, foi obrigado a se inscrever na Opera San Francesco d'Assisi, uma entidade religiosa que distribui refeição gratuita aos pobres na Itália, para conseguir sobreviver. A grave situação é provocada pela desvalorização de cerca de 20% do dólar face ao euro, que vem sendo ignorada pelas autoridades brasileiras.
Em reunião com os bolsistas brasileiros em Paris, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, culpou a desvalorização cambial do dólar pela situação “difícil” que os bolsistas brasileiros se encontram principalmente nos países europeus.
Segundo o ministro, alguns estudantes que escolhem fazer seu doutorado na Europa, o fazem por razões que nada têm a ver com a excelência acadêmica e, sim, por um capricho, um desejo fútil de lá estar. Nesta declaração o que fica claro é a falta de uma política por parte do governo para atender as necessidades destes estudantes.
Se seguirmos a lógica da declaração do ministro, deveríamos exigir do governo condições dignas para que os estudantes possam executar suas pesquisas e até mesmo suas condições básicas de sobrevivência.
O descaso dos administradores públicos para com os bolsistas e tamanho que na UEFS as bolsas estão saindo com quase um mês de atraso, sabendo-se que uma grande parcela dos bolsistas conta com a bolsa para continuar suas pesquisas e seus estudos, fazendo com que os estudantes vivam condições materiais inadequadas.
O assunto é grave por dois aspectos. Em primeiro lugar, porque um aluno que passe necessidade não tem condições psicológicas para extrair o maximo do objeto pesquisado.
Além do mais, as viagens para encontros de pesquisa devem servir para que o indivíduo tenha uma visão ampla do que há de pesquisa no país, somando assim conhecimentos para continuação do seu próprio projeto porem são impedidos. Sem recursos, fica difícil. Um programa mal conduzido acaba sendo um desperdício de recursos públicos
O segundo ponto, é que o bolsista viaja com a esperança de ser ressarcido logo após seu reingresso, o que não acontece. Desconhecendo as dificuldades materiais que enfrentará durante o desenvolvimento do projeto, que são acentuadas pela falta de condições adequadas para o desenvolvimento do mesmo acaba por tripudiar com as expectativas do bolsista.
Os bolsistas não são um problema e sim uma solução, pois quando lhes oferecem ferramentas adequadas para desenvolver suas pesquisas surgem bons resultados promovendo reconhecimento e um aumento das divisas das instituições.
Fonte, nota do Boechat no 'Jornal do Brasil', de sábado, 18/10.
Carlos Eduardo Ferreira Lopes
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