CORPO DE BOMBEIROS DE FEIRA DE SANTANA

Bombeiro é o serviço público mais antigo que se conhece. No mo-mento da história na qual o homem abandona as cavernas e forma os primei-ros núcleos de população, leva consigo o fogo que lhe produz calor e bem-estar, mas também deve prevenir-se, já que às vezes se volta contra ele. Por isso, o homem primitivo regulou o uso do fogo e estabeleceu vigilância em seus povoados enquanto se ausentava para buscar alimentos. Assim, teve início, nos primórdios da humanidade, a luta organizada contra incêndio.
Em 23 de agosto de 1395, foi a vez de Portugal, através do Rei João I, criar a legislação pertinente à prevenção e combate ao fogo.
Em 29 de março de 1549, quando aqui aportava Tomé de Souza, com a missão de governar o Brasil, encontrou a Vila dos Pereiras em chamas. Após a fundação da cidade do Salvador, muitos incêndios e desabamentos ocorreram, sem nenhuma providência legal, mesmo já existindo um Corpo de Bombeiros Voluntários. Somente em 12 de agosto de 1797, através de Alvará Régia, D. João VI determina ao Arsenal da Marinha ser o Órgão Público responsável pela extinção de incêndio.
O voluntário foi o forte no combate aos incêndios e como a manuten-ção patrocinada pela Associação Comercial da Bahia ficou inviável, o Go-vernador da Bahia, Marechal Hermes da Fonseca, criou a 11ª Cia da Polícia da Bahia, em 15 de maio de 1890, para substituir os voluntários. Com a elei-ção do primeiro prefeito da cidade do Salvador, após a proclamação da Re-pública, o conselheiro José Luís de Almeida Couto, ex-governador da Bahia e São Paulo, político experiente e carismático, criou a 26 de dezembro de 1894, ou há 103 anos, o CORPO DE BOMBEIROS da cidade do Salvador, que, no primeiro quarto deste século fora considerado um dos melhores do Brasil e prestou grandes e inestimáveis serviços à cidade do Salvador e ou-tras periféricas, cerca de oitenta, com inúmeras dificuldades financeiras e materiais, em decorrência do empobrecimento dos Municípios Brasileiros no pós-revolução de 1964.
O eminente governador Antônio Carlos Magalhães, em 07 de novem-bro de 1982 sancionou, no pátio do 1º GI, a Lei nº 4075/82, que visava a in-corporação do Corpo de Bombeiros da Cidade do Salvador à Polícia Militar da Bahia e adquiriu oito viaturas, o que de fato aconteceu, em 01 de janeiro de 1984, já no governo do Dr João Durval Carneiro.
O governador Waldir Pires, em seu primeiro pronunciamento público disse: "No Corpo de Bombeiros, as duas únicas escadas magiro de que dis-pomos, não funcionam. Que Deus nos protejam dos incêndios!". Mas no seu governo, só foram adquiridas três viaturas autobombatanque (ABT) e man-dou recuperar uma escada.
Com o retorno do Dr Antonio Carlos Magalhães foram adquiridas onze viaturas operacionais, dotou a cidade do Salvador com 130 hidrantes públicos e começavam os estudos para a interiorização dos bombeiros, o que foi tema da campanha do atual governador, Dr Paulo Souto, e, para tanto, já adquiriu 16 viaturas de combate a incêndio nos EUA e 12 viaturas na Fin-lândia, sendo que todas estão equipadas com plataforma aérea, variando de 20 a 50m de altura, ao custo de U$ 12 milhões. Está comprando mais cinco na Finlândia, o que vem mostrar quão oneroso se torna o combate ao fogo em estruturas altas. Implantou o projeto SALVAR com dez ambulâncias e, em 26 de dezembro de 1996, iniciou a interiorização da Corporação, com a implantação do 3º Batalhão de Bombeiro Militar, sediado na cidade de Feira de Santana.
Para que se faça justiça, daremos um breve passeio na história de Fei-ra de Santana. Em março de 1978, o governador Roberto Santos entregou à comunidade feirense quatro viaturas que em 1984 já estavam desativadas, por falta de manutenção; o que levou o Lions Club Salvador-Brotas a lançar uma campanha de esclarecimento da comunidade, o modelo ideal de preven-ção e combate a incêndio e a apresentar uma proposta à INTERURB, do Corpo de Bombeiros ideal para Feira de Santana, não sendo aceita pelo Sr Sérgio Carneiro, sob a alegação de falta de recursos, fato que levou o verea-dor Otto Filho a propor a criação da Lei 1085/88, que estabelece normas ge-rais de proteção contra incêndio e pânico, sabiamente sancionada em 11 de maio de 1988, pelo prefeito José Falcão da Silva, regulamentada pelo seu sucessor, prefeito Colbert Martins da Silva, através do Decreto 5434 de 17 de junho de 1992.
Graças ao resultado do 1º Seminário de Prevenção e Combate a In-cêndio da cidade de Feira de Santana, patrocinado pela SUDIC, sob o co-mando do professor Luciano Ribeiro houve o estímulo ao Dr Celso Pereira, então diretor do centro Industrial do Subaé, para a construção do módulo onde abrigaria as viaturas do 1º SGI, em número de três, recuperadas pelo Centro das Indústrias de Feira de Santana, no empenho pessoal dos srs João Batista Ferreira e Luís Fernando Kunrait. A prefeitura patrocinou um segun-do seminário, em 20 de fevereiro de 1990, visando a discussão do regula-mento que foi criado pelo decreto 5434/92.
O SGI foi inaugurado em 14 de janeiro de 1991, com o apoio da pre-feitura, da indústria e deveria contar com o apoio do comércio, o que não aconteceu. Funcionou até 27 de julho de 1993, atendendo 419 ocorrências, sendo 142, 187 e 90 nos anos de 1991, 1992 e 1993, respectivamente. A uni-dade foi desativada porque o modelo proposto pelo 1º seminário não estava completo, senão, vejamos: a fonte de recurso para a manutenção não chegou a funcionar, pois o projeto de lei enviada ao legislativo criando a taxa de in-cêndio não foi aprovado, bem como a proposta do vereador Antonio Carlos Machado, criando um fundo para a manutenção do Corpo de Bombeiros, não foi aceita pelo seus pares.
Meus senhores, a obrigação de manter o serviço público de prevenção e combate a incêndio é do município. Mais uma vez o Estado vem em nosso socorro. O Dr Paulo Souto prometeu e colocou à disposição do município de Feira de Santana 90 homens e três veículos novos, além de dois usados e restaurou o posto do Tomba. Deverá enviar mais três equipamentos para fei-ra de Santana. Agradecemos a iniciativa do ex-prefeito José Raimundo de Azevedo em ceder um imóvel sito à rua Santos Dumont, onde funcionará o posto nº 02 e a delegação para que o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar possa fiscalizar a aplicação da lei nº 1085/88; e ao atual prefeito, Dr José Falcão da Silva, por ter mantido tal decisão do seu antecessor.
O 3º Batalhão de Bombeiro Militar foi inaugurado e implantado em 26 de dezembro de 1996, tendo como Comandante Geral o Cel PM Antonio José de Souza Filho, como Comandante do Corpo de Bombeiros, o Cel PM Raimundo Ramos de Souza e como Comandante do 3º BBM o Ten Cel PM Jorge Antonio Prudente da Silva Fraga.
Feira de Santana, 16 de julho de 1997.


 JORGE ANTONIO PRUDENTE DA SILVA FRAGA - TEN CEL PM
Cmt do 3º BBM