Notícias

13/02/2019 17:50

Nota da CAA/UEFS, NEABI/UEFS e Residência Indígena/UEFS em apoio aos Tupinambá da Serra do Padeiro - alvos de recentes ameaças de morte

A Comissão de Ações Afirmativas, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas, a Residência Indígena, da Universidade Estadual de Feira de Santana, vêm a público mostrar sua solidariedade ao Povo Tupinambá de Olivença, e, em particular, à comunidade da Serra do Padeiro, cujos membros estão sendo vitimas de ameaças de morte, de acordo com denúncia feita por Líder Tupinambá e veiculada em matéria do jornal Folha de São Paulo do dia 10 de Fevereiro de 2019. As ameaças foram denunciadas por Rosivaldo Ferreira da Silva (Cacique Babau), uma das maiores lideranças indígenas do país, à Procuradoria Geral da República (PGR) em Brasília e ao Ministério Público Federal - seção Bahia. Há, na denúncia, elementos que levam a crer que grupos contrários às demarcações de Terras Indígenas na região sul da Bahia, onde está inserida a Terra Indígena (TI) Tupinambá, estariam orquestrando armadilhas e emboscadas contra familiares do Cacique na tentativa de enfraquecê-lo no que diz respeito à sua atuação enquanto principal liderança da Terra Indígena Tupinambá e uma das mais importantes do país. A testemunha citada pelos índios alertou os Tupinambá de que membros contrários à demarcação afirmaram que iriam aproveitar a conjuntura política atual, na qual o Presidente eleito se coloca publicamente contra as demarcações de terras indígenas, para “se livrarem de Babau”, atacando primeiramente seus familiares para assim conseguirem “desarticulá-lo”. Ainda como forma de intimidação, foram postados em Blogues da região sul da Bahia no último dia 11/02, comentários anônimos cujo teor afirmam que o Cacique Babau não sobreviverá até o mês de junho e que com sua morte haverá festa no município de Buerarema. A TI Tupinambá situada no sul da Bahia compreende partes dos municípios de Ilhéus, Buerarema e Una, perfazendo um total de 47.000 hectares onde vivem atualmente cerca de 4.600 índios. O processo de demarcação da TI Tupinambá iniciado em 2001 e publicado em 2009 passou por quase todas as fases legais da demarcação e atualmente aguarda uma das últimas etapas do processo, a assinatura da portaria declaratória que deve ser realizada pelo Ministério da Justiça, para que a área seja finalmente destinada aos índios. Primeiros indígenas a entrarem em contato com o colonizador português na costa sul da Bahia em 1500, os Tupinambá, célebres por seus atos de bravura descritos por cronistas e viajantes dos séculos XVI ao XIX, resistem a 519 anos contra o esbulho de suas terras que gerou, ao longo dos séculos, perdas inomináveis. Os Tupinambá da Serra do Padeiro se afiguram atualmente como uma das mais importantes e emblemáticas comunidades indígenas da Bahia e do Brasil no que diz respeito à sua contundente luta por direitos, tendo em Rosivaldo Ferreira da Silva e seus familiares exemplos de força e determinação em busca de direitos, sendo o maior deles o direito ao seu território tradicional. A Comissão de Ações afirmativas, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas, a Residência Indígena, da UEFS reiteram o apoio irrestrito ao povo Tupinambá e aponta a necessidade urgente de apuração das ameaças sofridas pelo Cacique Babau e sua comunidade, reforçando, ainda, seu apoio a todos os povos e comunidades tradicionais que por ventura possam ter seus direitos atacados.



Comissão de Ações Afirmativas (CAA) da Universidade Estadual de Feira de Santana

Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros de Indígenas (NEABI) da Universidade Estadual de Feira de Santana

Residência Indígena da Universidade Estadual de Feira de Santana


Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.